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Gustavo Tutorial

Negócio

A parte que quase ninguém estuda e que costuma dar mais retorno que qualquer tecnologia nova.

Revisão já conversamos sobre isso Novo ainda não vimos 7 partes · 52 tópicos

Nenhum tópico com esse filtro.

PARTE 1

O lado que não é código

O que costuma separar quem entrega site de quem entrega resultado — e, na prática, o que mais influencia quanto você consegue cobrar.

Design system e tokens

Novo

Design system é um conjunto de decisões tomadas uma vez e reaproveitadas: cores, espaçamentos, tamanhos de fonte, raios de borda, sombras. Você já faz isso quando escreve um bloco :root — a diferença é tratá-lo como sistema, não como lista de cores.

um sistema mínimo
:root {
  /* cor: por papel, não por aparência */
  --cor-fundo:     #0B0B0B;
  --cor-superficie:#161616;
  --cor-texto:     #F9F8F6;
  --cor-marca:     #7A1C30;

  /* espaço: escala fixa, sem valores avulsos */
  --e-1: 4px;   --e-2: 8px;   --e-3: 16px;
  --e-4: 24px;  --e-5: 40px;  --e-6: 64px;

  /* texto: escala, não números soltos */
  --t-pequeno: 14px;
  --t-corpo:   17px;
  --t-titulo:  clamp(28px, 4vw, 44px);

  --raio: 6px;
}

O detalhe que faz diferença é nomear por papel e não por aparência. --cor-marca continua fazendo sentido quando o cliente troca de vermelho para verde; --vermelho vira mentira no mesmo dia.

O valor prático: com uma escala fixa de espaçamento, some a pergunta “18px ou 20px aqui?”. Você escolhe entre seis valores, e a página fica visualmente coerente sem esforço. Menos decisão, mais consistência.

Escala tipográfica

Novo

Em vez de escolher tamanhos no olho, você parte de um tamanho base e multiplica por uma razão constante. O resultado tem hierarquia clara porque os saltos são proporcionais.

PapelRazão 1,25 (suave)Razão 1,414 (dramática)
Legenda13px12px
Corpo16px16px
Subtítulo20px23px
Título de seção25px32px
Título principal31px45px

Três regras que resolvem a maior parte

  • Largura de linha entre 60 e 75 caracteres. Use max-width: 65ch. Linha longa demais cansa; curta demais pica a leitura.
  • Altura de linha maior no texto pequeno. Corpo em 1,5 a 1,6; títulos grandes em 1,1 a 1,2. Título com altura de corpo parece frouxo.
  • Menos pesos, mais contraste. Dois pesos bem diferentes (400 e 700) leem melhor que quatro parecidos.
Um detalhe barato que eleva o acabamento: text-wrap: balance nos títulos. Ele distribui as palavras entre as linhas em vez de deixar uma palavra órfã na última. Uma linha de CSS, efeito visível.

Cor e contraste

Novo

Contraste não é questão de gosto: é número. A relação entre a cor do texto e a do fundo tem valor medido, e existe mínimo.

SituaçãoMínimo
Texto normal4,5:1
Texto grande (24px+, ou 19px negrito)3:1
Borda de campo, ícone informativo3:1
Texto decorativo, desabilitadoSem exigência

Ferramentas: o próprio DevTools mostra a relação ao inspecionar um texto; fora dele, o WebAIM Contrast Checker resolve em segundos.

Montando uma paleta a partir da marca

  1. Uma cor de marca. Vem do cliente. Use com parcimônia — botão principal, links, detalhes.
  2. Neutros com viés. Cinza puro parece descuido. Um cinza levemente puxado para o matiz da marca parece escolhido.
  3. Cores de estado. Erro, sucesso e aviso são separados da cor da marca — verde de sucesso não deveria ser a cor do botão.
  4. Teste os dois temas. Uma cor que funciona no claro pode sumir no escuro.
Armadilha comum: dourado, amarelo e laranja claros quase sempre reprovam sobre fundo branco. Se o cliente tem uma cor dessas na marca, ela funciona como fundo com texto escuro por cima — não como texto.

Copywriting de conversão

Novo

Numa landing page, o texto converte mais que o layout. E quase sempre é a parte que ninguém trata com cuidado.

Em vez deEscrevaPor quê
“Bem-vindo ao nosso site”“Bar de drinks completo para o seu evento”Diz o que é em três segundos
“Qualidade e excelência”“Bartenders treinados e estrutura montada por nós”Específico é crível; adjetivo não é
“Saiba mais”“Ver eventos que fizemos”O botão diz o que acontece ao clicar
“Entre em contato”“Pedir orçamento no WhatsApp”Ação concreta, canal explícito
“Enviar”“Quero meu orçamento”Fala do ganho da pessoa, não da ação do sistema

A estrutura que funciona na maioria dos casos

  1. O que é — em uma frase, sem rodeio
  2. Para quem — a pessoa precisa se reconhecer
  3. Prova — foto, número, depoimento real
  4. Objeções — as três dúvidas que travam a decisão
  5. Ação — uma só, repetida ao longo da página
Uma ação por página. Botão de WhatsApp disputando com formulário, telefone e Instagram divide a atenção e derruba os dois. Escolha a ação principal e deixe o resto discreto no rodapé.

Teste A/B

Novo

Mostrar duas versões para públicos diferentes e comparar qual converte mais. Substitui opinião por dado — inclusive a sua.

O que testarImpacto típico
Título do topoAlto — é o que decide se a pessoa fica
Texto do botãoMédio a alto, e é barato de trocar
Número de campos do formulárioAlto
Foto do topoMédio
Cor do botãoBaixo — apesar da fama
O limite honesto: teste A/B precisa de volume. Com 40 visitas por mês, a diferença que você vê é ruído, não resultado. Abaixo de algumas centenas de conversões, o caminho melhor é entrevistar três clientes e perguntar o que quase os fez desistir.

Escopo, preço e contrato

Novo

A parte que costuma dar mais retorno que qualquer tecnologia nova — e a que quase ninguém estuda.

Escopo: o que trava projeto não é código

O padrão que mais atrasa entrega é o cliente não mandar o material. Deixe explícito desde o começo o que você precisa dele — fotos, textos, logo, número, CNPJ — e que o prazo começa a contar quando isso chegar. Aquela lista de itens [PREENCHER] que você já monta é exatamente esse documento.

Rodadas de revisão

“Ajustes ilimitados” é o que transforma um projeto de duas semanas em quatro meses. Duas ou três rodadas incluídas, e as seguintes cobradas à parte — dito na proposta, não descoberto no meio.

Preço por valor, não por hora

Cobrar por hora pune você por ficar mais rápido. À medida que você acumula componentes prontos e entrega em um dia o que antes levava uma semana, a cobrança por hora derruba seu preço justamente quando sua competência sobe.

Depois da entrega

PerguntaDecida antes, não depois
Quem paga a hospedagem e o domínio?Ideal: o cliente, em conta no nome dele
Quem tem as senhas?Ele. Você com acesso, não com posse
Pequenas alterações depois?Avulso ou mensalidade — mas com preço definido
Quanto tempo você garante correções?30 a 90 dias para defeito é razoável
Pode usar no seu portfólio?Combine na hora do contrato
Manutenção é o que estabiliza a renda. Landing page é receita única: entregou, acabou. Um plano mensal — hospedagem, pequenas alterações, relatório de visitas, backup — transforma cliente entregue em receita recorrente, e é o que faz esse trabalho parar de recomeçar do zero todo mês.
PARTE 2

Design que parece caro

A diferença entre uma página que parece de agência e uma que parece de modelo pronto raramente está na criatividade. Está em quatro coisas medíveis: hierarquia, espaço, tipografia e contenção. Nenhuma delas exige talento artístico — todas exigem disciplina.

Hierarquia: o olho precisa de uma ordem

Novo

Toda seção deve responder, em meio segundo, à pergunta "para onde eu olho primeiro?". Quando tudo tem o mesmo peso, a resposta é "para lugar nenhum" — e a pessoa rola.

Você cria hierarquia com quatro ferramentas, em ordem de força:

FerramentaComo usarErro comum
TamanhoO título da hero pode ser 4× o corpo. Diferença tímida não é hierarquia, é ruído.Título 20px, texto 16px — ninguém percebe
PesoNegócio em 700 ou 800 contra corpo em 400. Dois pesos bastam.Negrito espalhado em meia página
CorUma cor de destaque, no que é clicável. Texto em duas intensidades: principal e secundário.Cinco cores, nenhuma significando nada
EspaçoO que está junto pertence junto. Mais espaço antes de um título do que depois dele.Espaçamento igual em tudo
O teste do olho apertado: feche os olhos até quase fechar e olhe a tela. O que continua legível é a hierarquia real da sua página. Se nada sobressai, ela não tem.

Espaço — a escala de 8 e o ritmo

NovoCSS

Espaçamento escolhido no olho — 13px aqui, 27px ali — é o que faz uma página parecer amadora sem que ninguém saiba dizer por quê. A solução é não escolher: use uma escala.

css
:root {
  --e1: 4px;    --e2: 8px;    --e3: 12px;   --e4: 16px;
  --e5: 24px;   --e6: 32px;   --e7: 48px;   --e8: 64px;
  --e9: 96px;   --e10: 128px;
}

.card    { padding: var(--e5); }
.card h3 { margin-bottom: var(--e3); }
.secao   { padding-block: clamp(var(--e7), 8vw, var(--e10)); }

Duas regras que mudam o resultado imediatamente:

Espaço entre seções é muito maior do que você imagina. 96 a 128px no desktop. Página apertada parece panfleto; página respirada parece cara. Se está na dúvida, aumente.

Proximidade indica relação. O título fica colado no texto dele e longe do parágrafo anterior. Se o espaço acima e abaixo do título for igual, o leitor não sabe a que ele pertence.

O clamp() resolve o espaçamento responsivo sem media query: mínimo no celular, cresce com a tela, para de crescer no máximo. clamp(48px, 8vw, 128px) é uma linha que substitui três pontos de quebra.

Tipografia: tamanho, medida e altura

NovoCSS
css
body   { font-size: 17px; line-height: 1.6; }          /* corpo: 16 a 19px */
p      { max-width: 68ch; }                             /* medida: 60 a 75 caracteres */
h1     { font-size: clamp(34px, 6vw, 60px); line-height: 1.05; letter-spacing: -0.02em; }
h2     { font-size: clamp(25px, 3.5vw, 36px); line-height: 1.15; }
small  { font-size: 14px; }                             /* nada abaixo de 14 */
RegraPor quê
Corpo entre 16 e 19px14px em site de serviço é o que faz o cliente de 55 anos aproximar o celular do rosto
Entrelinha 1.5 a 1.7 no corpoTexto colado cansa; texto solto se desmancha
Entrelinha 1.0 a 1.2 em título grandeTítulo com entrelinha de corpo fica com buraco no meio
Medida de 60 a 75 caracteresAcima disso o olho se perde ao voltar para a linha seguinte
letter-spacing negativo em título grandeFonte cresce e as letras parecem afastar; -0.02em compensa
Duas famílias, no máximoTrês famílias é a assinatura do site improvisado
Onde dá para fugir do óbvio sem risco: use uma fonte com personalidade nos títulos e uma neutra e legível no corpo. O contraste entre as duas é o que dá identidade — e o corpo continua fácil de ler, que é o que importa para a venda.

Anatomia do tipo — e o nome de cada coisa no CSS

NovoCSS

O vocabulário do designer tem correspondência exata no CSS. Saber qual é qual evita que "aumenta o espaço entre as letras" vire mudança na entrelinha.

TermoO que éNo CSS
Altura-xa altura das minúsculas sem haste — x, a, e, onão se define; se compensa com font-size-adjust
Ascendente e descendentea haste que sobe (b, d, l) e a que desce (g, p, j)pedem espaço: line-height baixo demais corta a descendente
Linha de basea linha onde as letras se apoiamalign-items: baseline alinha textos de tamanhos diferentes
Kerningo ajuste entre um par específico de letras — AV, To, Wafont-kerning: normal; vem desenhado na fonte, não se mexe à mão
Trackingo espaço igual entre todas as letras de um trecholetter-spacing
Entrelinha (leading)a distância de uma linha para a outraline-height

A altura-x é o que decide o tamanho aparente. Duas fontes com o mesmo font-size podem parecer de tamanhos diferentes, porque o que o olho mede é a minúscula. Fonte de altura-x grande lê melhor em tamanho pequeno; ao combinar duas famílias, alturas-x parecidas fazem título e corpo conversarem.

O uso prático no código é o font-size-adjust: ele faz a fonte de reserva ocupar o mesmo tamanho aparente da fonte da web enquanto ela carrega — o texto não "pula" quando a fonte chega.

css
body {
  font-family: 'Inter', system-ui, sans-serif;
  font-size-adjust: 0.55;   /* exemplo: a altura-x da SUA fonte — a ferramenta de Tipografia mede */
}
.rotulo {
  text-transform: uppercase;
  letter-spacing: 0.08em;   /* caixa alta pede tracking positivo */
}
h1 { letter-spacing: -0.02em; }   /* título grande pede o contrário */
Sobre a entrelinha de 1,125 a 1,2: é o número que guias de design costumam dar, e vale para título e texto curto. No corpo de texto da web, a referência é outra: o critério 1.4.12 do WCAG exige que a página continue funcionando quando o próprio usuário aumenta a entrelinha para 1,5. Corpo nasce em 1,5 ou mais; título fica perto de 1,1.

Classificação: cinco famílias, cinco trabalhos

NovoCSS

A classe da fonte diz para que ela foi desenhada. Usar fora do trabalho dela é o que faz a página parecer improvisada.

ClasseExemplosServe paraNão serve para
SerifadaLora, Source Serif 4, Libre Baskervilletexto longo, marca tradicional — advocacia, casamento, gastronomiarótulo e botão muito pequenos
Sem serifaInter, Manrope, Figtreeinterface, corpo de site de serviço, tudo que é pequenomarca que pede tradição, sozinha
Manuscrita (script)Caveatuma palavra, assinatura, um detalheparágrafo, botão e qualquer coisa em caixa alta
MonoespaçadaJetBrains Mono, IBM Plex Monocódigo, número que precisa alinhar, rótulo técnicocorpo de texto
DisplayBebas Neue, DM Serif Displaytítulo grande, uma linhatamanho de corpo — foi desenhada para ser vista de longe

Pesos têm nome e número. 100 Thin, 200 Extra Light, 300 Light, 400 Regular, 500 Medium, 600 Semibold, 700 Bold, 800 Extra Bold, 900 Black. Nem toda família tem todos — e aí mora um erro comum: pedir font-weight: 700 de uma fonte que você não baixou em 700 faz o navegador engordar o 400 na marra. É o negrito falso, borrado e largo demais.

css
body {
  font-synthesis-weight: none;   /* sem negrito falso: se o peso não foi baixado, aparece o erro */
}
Como combinar duas famílias: por contraste de classe (serifada no título, sem serifa no corpo, ou o inverso) ou uma família só em dois pesos bem distantes. O que não funciona é juntar duas parecidas — duas sem serifa geométricas lado a lado parecem erro, não escolha.

Acabamento: alinhamento, órfãs, caixa alta e números

NovoCSS

Os detalhes que o designer nota e o cliente sente sem saber o nome. Quase todos custam uma linha de CSS.

css
p        { text-align: left; text-wrap: pretty; }   /* evita a palavra sozinha na última linha */
h1, h2   { text-wrap: balance; }                    /* linhas de tamanho parecido no título */
.rotulo  { text-transform: uppercase; letter-spacing: .08em; }
.sigla   { font-variant-caps: all-small-caps; letter-spacing: .04em; }  /* PIX, CNPJ, LGPD sem gritar */
.preco   { font-variant-numeric: tabular-nums; }    /* todo algarismo com a mesma largura */
.justificado { text-align: justify; hyphens: auto; } /* só com <html lang="pt-BR"> certo */
RegraPor quê
Alinhe o corpo à esquerdaa margem irregular da direita é o que o olho usa para achar o começo da linha seguinte
Justifique só com hifenizaçãosem hyphens: auto o navegador estica os espaços e abre "rios" brancos no meio do parágrafo — e a hifenização depende do lang do <html>
Centralize só até três linhasem texto longo centralizado, cada linha começa num lugar diferente
Caixa alta só em texto curtoem frase longa some o contorno das palavras, que é o que a gente de fato lê
Versalete para sigla no meio do textomantém a sigla em maiúsculas sem ela saltar do parágrafo
Números tabulares em preço e tabelacom algarismos proporcionais, R$ 1.111 fica mais estreito que R$ 8.888 e a coluna desalinha
Órfã e viúva são a palavra sozinha no fim do parágrafo e a linha solta no topo da coluna seguinte. text-wrap: pretty resolve a primeira nos navegadores que já o suportam; nos outros, a linha simplesmente quebra como sempre quebrou. Melhoria sem risco.

Cor: a paleta que funciona

NovoCSS

A estrutura que resolve praticamente qualquer site de serviço tem cinco papéis — não cinco cores bonitas, cinco funções.

css
:root {
  --fundo:     #FFFCF7;   /* nunca branco puro: #FFF cansa e achata */
  --superficie:#FFFFFF;   /* card, caixa — separa do fundo por contraste sutil */
  --texto:     #3F444D;   /* nunca preto puro: #000 vibra sobre branco */
  --texto-fraco:#6B7280;  /* legenda, apoio — ainda com 4.5:1 */
  --destaque:  #305546;   /* UMA cor: botão, link, ícone ativo */
  --linha:     #E6E2DA;   /* divisórias */
}

Uma cor de destaque, usada com avareza. Se a cor do CTA aparece em dez lugares, ela deixa de significar "clique aqui". O botão principal é o único elemento com fundo sólido na cor de destaque da seção.

Proporção 60-30-10: 60% neutro de fundo, 30% da cor de superfície e texto, 10% de destaque. Site em que a cor da marca cobre metade da tela parece embalagem, não página de serviço.

Off-white em vez de branco puro é a mudança de um caractere que mais melhora a percepção de acabamento. #FFFCF7, #FAFAF8, #F4F6F4 — qualquer um deles dá à página uma sensação de material impresso em vez de tela de monitor.

O que faz parecer caro — e o que faz parecer barato

Novo
Parece caroParece barato
Muito espaço vazioTudo apertado, aproveitando cada pixel
Uma foto ótimaSeis fotos medianas de banco de imagem
Duas fontes, três pesosQuatro fontes, sombra e contorno no texto
Cantos consistentes (todos 4px ou todos 12px)Cada elemento com um arredondamento
Sombra sutil e únicaSombra forte em tudo, com cor
Alinhamento rigoroso a uma gradeElementos quase alinhados
Texto específico e curto"Soluções inovadoras com excelência e qualidade"
Movimento discreto, em poucos pontosTudo entrando, girando e pulsando
Ícone de uma família sóEmoji misturado com ícone de três estilos
Foto do cliente real, mesmo imperfeitaFoto de escritório americano genérico
A coluna da esquerda é quase toda subtração. Quando a página não está boa, o instinto é acrescentar — mais um gradiente, mais um ícone, mais uma animação. Quase sempre o conserto é o contrário: tirar, alinhar e dar espaço.

Usar referência sem copiar

Novo

Olhar referência é obrigatório e não tem nada de vergonhoso — a questão é o que você extrai dela.

O que se copia: decisões estruturais e proporções. "A hero ocupa 80% da tela com uma foto só e três palavras", "os serviços são três cards com ícone acima do título", "o espaço entre seções é enorme". Isso é gramática visual, é de todo mundo.

O que não se copia: o layout inteiro com as cores trocadas, a ilustração, a foto, o texto, o código-fonte. Além do problema de direito autoral, tem o problema prático: o cliente dele e o seu não são iguais, e a página que funciona lá pode não funcionar aqui.

O método que funciona: junte três a cinco referências de setores diferentes. Uma de arquitetura, uma de clínica, uma de software. Anote o que cada uma faz bem — não como ela é. Depois monte a sua a partir das anotações, sem as abas abertas. Se você está com a referência na tela enquanto escreve o CSS, você está copiando.

Isso conversa direto com a trilha Trabalhando com IA: quando você passa referência para uma IA, a mesma distinção vale. Descrever a estrutura produz uma página sua; mandar a captura de tela e pedir "faça igual" produz uma cópia com outros textos.

Os cinco erros que mais aparecem

Novo

1. Texto sobre foto sem escurecer. Fica legível na sua tela e some na do cliente. Sempre um gradiente por cima, sempre contraste medido.

2. Centralizar tudo. Título centralizado funciona; parágrafo de cinco linhas centralizado obriga o olho a procurar o início de cada linha. Texto corrido é alinhado à esquerda.

3. Botão que não parece botão. Contorno fino, cor clara, sem preenchimento — o visitante não reconhece como clicável. O CTA principal é sólido, com contraste alto e área de toque de pelo menos 44px de altura.

4. Seções todas iguais. Oito blocos com o mesmo fundo, o mesmo espaçamento e o mesmo formato viram uma parede. Alterne: fundo neutro, fundo de superfície, uma seção com foto larga. A variação dá ritmo e marca o avanço da leitura.

5. Nenhum ponto de descanso. Informação densa do começo ao fim cansa. Uma frase grande sozinha no meio da página, com muito espaço em volta, funciona como respiro — e é onde o olho pousa quando a pessoa está rolando rápido.

Antes do sistema, o inventário

Novo

A pergunta que convence qualquer um — cliente ou você mesmo — de que precisa de um design system: quantos cinzas diferentes existem nesta página? Quantos tamanhos de botão? Contar o que já existe antes de decidir é o inventário de interface, e é o primeiro passo de todo sistema. O resultado quase sempre assusta.

  1. Junte todo o CSS do site — o seu, o do site antigo do cliente ou o do concorrente.
  2. Conte os valores distintos de cor, tamanho de fonte, espaçamento, raio e sombra.
  3. Agrupe os quase iguais: #333 e #343434 são o mesmo cinza escolhido duas vezes.
  4. Escolha um representante de cada grupo. Essa lista curta já é a primeira camada de tokens.

No Chrome, o painel CSS Overview do DevTools (em Mais ferramentas) faz uma contagem parecida na página aberta. Para o CSS que você tem em mãos, a ferramenta Design system conta, mostra quantas vezes cada valor aparece e marca os parecidos e o que está fora da escala.

Sistema não é falta de criatividade. É criar dentro de regras já decididas, para gastar a energia no que muda de projeto para projeto. Antes de desenhar um componente novo e bonito, pergunte se um que já existe resolve — quase sempre resolve.

Tokens em três camadas: primitivo, semântico, componente

NovoCSS

Nomear por papel e não por aparência é a camada do meio. Os sistemas grandes — Material, Carbon, Atlassian — separam em três, e o motivo aparece no dia em que o site ganha modo escuro.

CamadaExemploQuem usa
Primitivo--vinho-700: #7A1C30só a camada semântica; nunca a página direto
Semântico--cor-destaque: var(--vinho-700)a página inteira
Componente--botao-fundo: var(--cor-destaque)só o componente, e só quando ele é exceção
css
:root {
  /* 1. primitivos: a lista de ingredientes */
  --vinho-700: #7A1C30;   --vinho-300: #D9869A;
  --areia-50:  #FFFCF7;   --grafite-900: #16181C;

  /* 2. semânticos: o papel de cada um */
  --cor-fundo:    var(--areia-50);
  --cor-texto:    var(--grafite-900);
  --cor-destaque: var(--vinho-700);

  /* 3. componente: só onde precisa ser diferente */
  --botao-fundo:  var(--cor-destaque);
}

[data-tema="escuro"] {
  --cor-fundo:    var(--grafite-900);
  --cor-texto:    var(--areia-50);
  --cor-destaque: var(--vinho-300);   /* o vinho escuro some no fundo escuro */
}

No modo escuro, só a camada semântica muda. Primitivos e componentes ficam intactos, e nenhum seletor de componente precisa saber que existe tema. É o mesmo modelo das Variáveis do Figma com modos — por isso tokens escritos assim passam de um lado para o outro sem tradução (Variáveis do Figma).

Não crie a camada de componente por antecipação. Dez tokens de botão que só repetem o semântico são ruído. Ela nasce quando o componente precisa ser diferente do resto — o botão com fundo que não é o destaque, o campo com borda própria.

Do átomo à página — e os estados de cada peça

NovoCSS

O atomic design, proposto por Brad Frost, dá nome às peças para designer e dev falarem da mesma coisa. Cada nível é montado com os de baixo.

NívelExemploNo código
Átomobotão, campo, rótulo, íconeuma classe: .botao
Molécularótulo + campo + mensagem de erro.campo com filhos
Organismocabeçalho, formulário de orçamento, card de depoimentouma seção inteira
Templatea estrutura da página sem o conteúdoo esqueleto do HTML
Páginao template com texto e foto reaisonde o sistema é testado de verdade

Cada peça interativa tem estados, e todos precisam estar decididos: normal, hover, foco, pressionado e desabilitado — e o campo ganha o de erro. Estado que ninguém desenhou é estado que o dev inventa na hora, diferente em cada tela.

css
.botao               { background: var(--botao-fundo); color: var(--botao-texto);
                       border-radius: var(--raio); transition: background var(--dur); }
.botao:hover         { background: var(--botao-fundo-hover); }
.botao:focus-visible { outline: 2px solid var(--cor-foco); outline-offset: 2px; }
.botao:active        { transform: translateY(1px); }
.botao:disabled      { opacity: .5; cursor: not-allowed; }

.botao--secundario   { background: transparent; color: var(--cor-destaque-texto);
                       box-shadow: inset 0 0 0 1px currentColor; }
Variante no Figma é modificador no CSS. A variante "secundário" vira .botao--secundario; a propriedade "tamanho" vira .botao--grande. Com o mesmo nome nos dois lados, a passagem do design para o código dispensa reunião.

Design system é produto, não projeto

Novo

Projeto termina; sistema tem versão. Se o botão muda e ninguém registra, alguém trabalha o dia inteiro em cima do componente antigo — e quem entra no projeto depois não tem onde conferir qual é o certo.

Na escala de um freelancer, a documentação mínima tem três partes:

  • Os tokens, com amostra: cada cor com o papel dela, a escala de texto e a de espaço.
  • Cada componente com seus estados, e uma linha de quando usar e quando não usar.
  • O registro de mudanças: data, o que mudou, o que quebra.

Não precisa de ferramenta especial. Uma página /sistema.html dentro do próprio projeto, com os componentes reais renderizados pelo mesmo CSS do site, é mais confiável que um PDF: ela não fica desatualizada, porque é o próprio código. O Storybook faz isso em escala para projetos em React, Vue ou Angular. O importante é que todo mundo do projeto tenha acesso.

Para estudarDe quemO que olhar
Material Design 3Googlea paleta inteira gerada a partir de uma cor-semente; o guia de movimento
CarbonIBMa parte de acessibilidade escrita em cada componente
PolarisShopifyo guia de conteúdo: como escrever botão, erro e aviso
Atlassian Design SystemAtlassiantokens semânticos com nomes que dizem onde usar
Human Interface GuidelinesAppleprincípios e padrões de plataforma, sem código
Adapte um existente em vez de começar do zero — mas adapte a estrutura, não a aparência. O patch notes deste site é o registro de mudanças dele: a mesma ideia, aplicada a um projeto pequeno.
PARTE 3

LGPD como parte da entrega

Todo site de serviço coleta dado pessoal, mesmo o que "não tem formulário". A lei se aplica ao cliente, mas quem construiu o site é quem sabe o que está sendo coletado — e é quem deveria avisar. Isso vira diferencial na proposta e evita conversa ruim depois.

O que a lei pede de um site de serviço

Novo

A LGPD (13.709/2018) trata de dado pessoal: qualquer informação que identifique alguém. Nome, e-mail, telefone, IP, identificador de navegação. Para um site de serviço local, ela se resume a quatro obrigações práticas.

ObrigaçãoNa prática
FinalidadeColetar só o que se usa, para um fim declarado. Pedir CPF num formulário de orçamento é coleta sem finalidade.
TransparênciaUma política de privacidade acessível, escrita de forma legível, dizendo o que se coleta e por quê.
Base legalConsentimento para rastreamento de marketing; execução de contrato ou interesse legítimo para o contato que a própria pessoa iniciou.
Direitos do titularUm canal para a pessoa pedir acesso, correção ou exclusão dos dados dela. Um e-mail basta.
Quem responde: o controlador é o cliente — é o negócio dele que decide por que coletar. Você, como quem construiu e às vezes opera o site, costuma se enquadrar como operador. Na prática isso significa duas coisas: você não é o responsável principal, e você deve deixar por escrito o que instalou e o que aquilo coleta.

O que você coleta sem perceber

Novo

Uma landing page "simples" quase sempre já está coletando mais do que o dono imagina:

ItemO que coletaPrecisa de consentimento?
Google Analytics / GA4IP, identificador do navegador, comportamentoSim — é rastreamento analítico
Meta PixelIdentificação para remarketingSim, e é o mais sensível dos dois
Google Fonts pelo CDNIP do visitante enviado ao GoogleZona cinzenta — hospedar a fonte no próprio domínio elimina a questão
Mapa do Google embutidoIP e cookies do GoogleSim — carregue só depois do aceite, ou use uma imagem com link
Chat de atendimentoConversa inteira, em servidor de terceiroSim
Link de WhatsAppNada até o clique; depois, a conversa é do WhatsAppNão, mas a política deve mencionar
FormulárioO que a pessoa digitouBase legal é o próprio contato solicitado
O jeito honesto de vender isso: "seu site vai ter Analytics e pixel do Meta — os dois coletam dados de quem visita, então ele precisa de aviso de cookies e política de privacidade; já entrego assim". Leva trinta segundos na reunião e posiciona você acima de quem entrega sem nada.

Aviso de cookies que não é teatro

NovoJS

O banner só com "OK" que carrega os rastreadores antes de você clicar não cumpre nada — e é o mais comum no Brasil. O mínimo defensável tem três características: não carrega nada antes do aceite, recusar é tão fácil quanto aceitar, e a escolha fica registrada.

js
// 1. nada de analytics até haver decisão
function carregarAnalytics() {
  const s = document.createElement('script');
  s.src = 'https://www.googletagmanager.com/gtag/js?id=G-XXXX';
  s.async = true;
  document.head.appendChild(s);
}

// 2. respeita a decisão anterior
let escolha = null;
try { escolha = localStorage.getItem('lgpd'); } catch {}

if (escolha === 'aceito') carregarAnalytics();
else if (escolha === null) document.querySelector('#aviso').hidden = false;

// 3. os dois botões têm o mesmo peso visual
aceitar.onclick = () => { guardar('aceito'); carregarAnalytics(); };
recusar.onclick = () => { guardar('recusado'); };

function guardar(v) {
  try { localStorage.setItem('lgpd', v); } catch {}
  document.querySelector('#aviso').hidden = true;
}
Detalhe de layout que também é de performance: o aviso deve ficar sobreposto (position: fixed), nunca empurrando o conteúdo — banner que empurra a página é uma das maiores fontes de CLS ruim. E ele precisa ser fechável pelo teclado, com Esc.

Política de privacidade — o esqueleto

Novo

Não precisa de advogado para um site de serviço local com formulário de contato, mas precisa ser verdadeira — política copiada de outro site descreve coleta que não acontece e omite a que acontece.

estrutura
1. Quem somos            nome da empresa, CNPJ, endereço, e-mail de contato
2. Que dados coletamos   nome, telefone, e-mail (formulário)
                         dados de navegação (Analytics, pixel)
3. Para que              responder solicitação de orçamento; medir audiência
4. Com quem compartilhamos  Google (Analytics), Meta (pixel), provedor de e-mail
5. Por quanto tempo      ex.: contatos por 24 meses; navegação por 14 meses
6. Seus direitos         acesso, correção, exclusão, revogação — por este e-mail
7. Cookies               quais, para quê, como recusar
8. Data da última atualização
Dois cuidados: o item 8 precisa ser real — política com data de três anos atrás sinaliza abandono. E se o cliente tem CNPJ, os dados dele no item 1 precisam ser os verdadeiros; página de política sem identificação de quem é o controlador não serve para nada.

Deixe a política e um link para ela no rodapé de todas as páginas, junto com o aviso de cookies. É o lugar onde as pessoas procuram — e onde o buscador espera encontrar.

O que é seu e o que é do cliente

Novo

Deixe explícito no orçamento, porque a ausência dessa linha é o que gera cobrança injusta depois.

Responsabilidade suaResponsabilidade do cliente
Implementar o aviso de cookies funcionandoDecidir o que coletar e por quê
Entregar o modelo da política preenchido com o que o site realmente fazRevisar, aprovar e manter atualizada
Não instalar rastreador sem avisarResponder aos pedidos de titulares
Informar por escrito o que foi instaladoGuardar os dados recebidos com cuidado
Não guardar dado de visitante em servidor seuIndicar encarregado, se o porte exigir
E uma regra sua, de higiene: não peça ao cliente as senhas dele por WhatsApp, não guarde planilha com contatos de visitantes no seu computador, e apague o que você recebeu de teste quando a entrega terminar. Você não quer ser a origem de um vazamento de dado que nem era seu.
PARTE 4

Acessos, domínio e backup

A parte chata que ninguém ensina e que decide se um projeto termina bem ou vira briga. Quem é dono do domínio, quem tem qual senha, e o que acontece se você sumir — ou se o cliente sumir.

O domínio é do cliente. Sempre.

Novo

Registrar o domínio no seu CPF "para facilitar" parece gentileza e é a origem do pior tipo de conflito que existe nesse ofício. O domínio é o ativo do negócio dele — o endereço que está no cartão, no Google, nos anúncios.

FaçaNão faça
Registrar no registro.br com o CNPJ ou CPF do clienteRegistrar no seu nome e "passar depois"
Usar o e-mail do cliente como contato do domínioUsar o seu e-mail — é ele quem recebe o aviso de renovação
Sentar junto e fazer o registro na frente deleFazer sozinho e mandar o print
Cobrar a taxa anual à parte, no nome delePagar do seu bolso e embutir no serviço
Domínio .com.br expira e é liberado. Se o aviso de renovação vai para um e-mail seu que você parou de olhar, o cliente perde o endereço — e qualquer pessoa pode registrar. É um dos poucos erros desse trabalho que não tem conserto.

O inventário de acessos

Novo

Um documento por cliente, entregue junto com o site. Sem senha escrita nele — só o mapa de onde está cada coisa e em nome de quem.

acessos.md
# Acessos — Vanessa Carvalho Arquitetura

| Serviço                  | Titular            | Onde                  |
|--------------------------|--------------------|-----------------------|
| Domínio                  | Vanessa (CNPJ)     | registro.br           |
| Hospedagem               | Vanessa            | Vercel                |
| Repositório do código    | Gustavo (colab.)   | GitHub                |
| Google Analytics         | Vanessa            | conta Google dela     |
| Perfil da Empresa Google | Vanessa            | conta Google dela     |
| E-mail profissional      | Vanessa            | Google Workspace      |

Senhas: gerenciador do cliente. Nenhuma senha neste arquivo.
Acesso do Gustavo: como colaborador convidado, revogável a qualquer momento.
Atualizado em: 18/09/2026
O princípio: tudo em nome do cliente, e você entra como colaborador convidado. Isso protege os dois — ele não fica refém de você, e você não fica responsável por conta que não é sua. GitHub, Vercel, Analytics e Perfil da Empresa do Google têm convite de colaborador; use sempre esse caminho.

Senha, 2FA e o que nunca fazer

Novo

Nunca por WhatsApp, e-mail ou bloco de notas. Conversa de WhatsApp fica no aparelho dos dois, no backup da nuvem, e às vezes no computador do escritório que outras pessoas usam.

SituaçãoCaminho certo
Você precisa de acesso a uma conta deleConvite de colaborador, com a conta dele intacta
Não existe convite de colaborador no serviçoGerenciador de senhas com compartilhamento (Bitwarden tem plano gratuito)
Precisa mandar uma senha uma vez sóLink que expira e se autodestrói
Suas próprias senhasGerenciador, com 2FA ligado em tudo
O projeto acabouPeça para ele remover seu acesso — e confirme que removeu
2FA no seu GitHub não é opcional. Se alguém entra na sua conta, entra nos repositórios de todos os seus clientes ao mesmo tempo, e em tudo que estiver ligado à Vercel. É o ponto único de falha de todo o seu trabalho.

Backup — o que, onde, quando

Novo

Para site estático, backup é mais simples do que parece — e é justamente por parecer simples que ninguém faz.

O queOndeFrequência
Código do siteGit local + GitHubA cada mudança — é o próprio commit
Fotos originais do clienteDrive/nuvem, pasta por clienteAssim que recebe
Arquivos de design e logo vetorialMesma pastaAssim que recebe
Textos aprovados e briefingMesma pastaAo final de cada rodada
Conteúdo de CMS, se houverExportação do painelMensal
Inventário de acessosMesma pasta + cópia com o clienteA cada mudança
A regra 3-2-1, na versão realista: o código está no seu computador, no GitHub e na Vercel — já são três cópias em dois lugares diferentes. O que costuma existir em cópia única são as fotos originais do cliente. É exatamente o que ele não tem como refazer.

Quando o cliente some — ou você

Novo

Se o cliente some sem pagar: não derrube o site publicado e não apague nada. Isso é dano, e transforma uma cobrança legítima em uma disputa em que você está errado. O que se faz é suspender o trabalho novo, comunicar por escrito, e cobrar pelos meios normais. O combinado no contrato sobre parcelas e entrega é o que vale — e é por isso que ele existe.

Se você precisa sair do projeto: entregue o inventário de acessos atualizado, transfira o repositório ou garanta que o cliente tem acesso de dono, avise com prazo, e deixe um README explicando como o site é atualizado. Cliente abandonado com um site que ninguém consegue mexer é o que faz o mercado inteiro desconfiar de freelancer.

O que evita os dois casos é a mesma coisa: entrada no início, entrega em etapas com aprovação registrada, e tudo em nome do cliente desde o primeiro dia. Quando não há refém de nenhum lado, a conversa continua sendo sobre trabalho.
PARTE 5

Manutenção e pós-entrega

O site no ar não é o fim do projeto — é o começo da parte que pode virar receita fixa ou trabalho de graça, dependendo do que foi combinado antes. O lado técnico do pós-publicação — servidor, busca, medição, e-mail no domínio — está na trilha Depois do ar.

Produção e pré-visualização

Novo

Depois que o site está no ar, você nunca mais mexe direto nele. A regra passa a ser: toda mudança nasce num branch, vira uma URL de pré-visualização, é aprovada ali, e só então entra em produção.

terminal
git switch -c promocao-outubro
# ... faz a alteração ...
git push -u origin promocao-outubro
# a Vercel publica em promocao-outubro-nomedosite.vercel.app
# cliente aprova nesse link

git switch main && git merge promocao-outubro && git push
# agora sim está no ar
Isso resolve o pior pesadelo do pós-entrega: mexer no site que está recebendo anúncio pago e quebrar durante a campanha. Com pré-visualização, o erro acontece num endereço que ninguém acessa.

Como o cliente pede alteração

Novo

Sem um canal definido, os pedidos chegam por áudio de WhatsApp no sábado, se perdem, e ninguém lembra o que foi combinado. Defina no início:

CombineExemplo de como dizer
Por onde"Pedidos de alteração por e-mail ou por mensagem escrita, para eu conseguir registrar."
Prazo de resposta"Respondo em até 2 dias úteis; mudança pequena entra na mesma semana."
O que é urgente"Site fora do ar ou informação errada eu trato no mesmo dia. O resto entra na fila."
Horário"Atendo em horário comercial. Fora disso só o que estiver fora do ar."
Como fica registrado"Vou confirmando por escrito o que entendi antes de mexer."
Confirmar por escrito antes de executar é o hábito que evita refazer: "Entendi que é trocar o texto da hero por X e a foto pela nova. Confirma?". Cinco linhas que economizam uma tarde — e que dão ao cliente a chance de perceber que ele mesmo pediu a coisa errada.

O que está e o que não está incluído

Novo

A frase "dá uma mexidinha rápida" é o começo de 90% do trabalho não pago desse ofício. A defesa não é dizer não — é ter definido antes o que é ajuste e o que é serviço novo.

Ajuste (incluído no período combinado)Serviço novo (orçamento à parte)
Corrigir erro de digitaçãoReescrever a copy de uma seção
Trocar um telefone, um horárioAdicionar uma seção nova
Substituir uma foto pela versão novaTratar e recortar um lote de fotos
Consertar algo que quebrou e era responsabilidade suaMudar o layout, as cores, a identidade
Ajustar o que foi listado nas rodadas de revisãoCriar página nova, blog, área de cliente
Integrar sistema, CRM, agendamento
Como dizer sem atrito: "Isso é uma seção nova, então sai do escopo da entrega. Posso fazer por X, entrego em Y dias — quer que eu mande o orçamento?". Você não recusou; você precificou. A maioria dos clientes aceita numa boa — quem não aceita, te mostrou cedo como seria o resto da relação.

Contrato de manutenção

Novo

É o que transforma projeto pontual em receita previsível, e é mais fácil de vender depois de uma entrega boa do que no primeiro orçamento.

ModeloComo funcionaPara quem
Horas mensaisX horas por mês, acumula ou não acumula (defina)Cliente que muda coisa toda hora
Pacote de itensHospedagem, domínio, até N alterações pequenas, relatório mensalO mais fácil de vender para serviço local
Sob demandaValor por hora ou por tarefa, sem mensalidadeCliente que quase não mexe
PerformanceMensalidade + acompanhamento de tráfego e conversãoCliente que investe em anúncio

O que colocar num pacote mensal de site de serviço local, que justifica o valor e dá pouco trabalho:

pacote
· Hospedagem e certificado ativos
· Até 2 alterações pequenas por mês
· Verificação mensal: site no ar, formulário chegando, Lighthouse
· Relatório curto: visitas, de onde vieram, quantos cliques no WhatsApp
· Backup e atualização do que precisar
· Atendimento prioritário se sair do ar
O relatório é o que segura o contrato. Sem ele, depois de três meses sem mexer em nada, o cliente pergunta pelo que está pagando. Uma página por mês com quatro números e uma frase de leitura é barata de produzir e responde a pergunta antes dela ser feita.

A mensalidade: o que ela compra

Novo

"Hospedagem R$ 60/mês" é a linha mais comum nas tabelas de preço de quem faz site — e a que mais esconde problema. Se o site está num plano gratuito, o cliente paga todo mês por algo que custa zero. E, dependendo do plano, a hospedagem nem permite o uso: os termos da Vercel restringem o plano gratuito a uso pessoal e não comercial, e listam como comercial, com essas palavras, receber pagamento para criar, atualizar ou hospedar o site.

Onde o site moraSite de cliente pode?O que diz a fonte
Vercel, plano gratuitonãoas regras de uso justo exigem Pro ou Enterprise para qualquer uso comercial
Vercel, plano Prosimé pago, por assento da equipe
Netlify, plano gratuitosima própria Netlify diz que o gratuito aceita projeto comercial
GitHub Pagesnãoo GitHub proíbe usar para negócio
Hospedagem tradicionalsimé paga desde o começo

A saída honesta tem duas partes. A hospedagem fica na conta e no nome do cliente (como o domínio), num plano que aceita uso comercial; se ela custar algo, o custo aparece como custo, no cartão dele. E a mensalidade que você cobra passa a se chamar pelo que é: manutenção — o trabalho que você faz todo mês.

Na tabela de preçosO que ela promete de verdade
"Hospedagem"nada que o cliente consiga conferir
"Manutenção: até 2 alterações de conteúdo por mês"trabalho com limite claro — a linha entre alteração e projeto novo está em O que está e o que não está incluído
"Monitoramento: se cair, eu sei antes de você e respondo no mesmo dia útil"algo que você controla — Saber que caiu antes do cliente
"Domínio e o que vence, renovados no prazo"o calendário do que vence, incluindo o token do feed do Instagram
"Relatório mensal: visitas, cliques no WhatsApp, o que mudou"prova de que a mensalidade trabalha — O relatório e a manutenção
Não prometa "99,9% no ar". Esse número é do fornecedor, não seu: você não controla o servidor. Na Vercel, o acordo de disponibilidade (SLA) aparece como recurso do plano Enterprise; planos gratuitos, em geral, não trazem nenhum. Prometa o que depende de você — saber que caiu e responder no prazo — e deixe o resto para Quando o site sai do ar. Os termos acima foram lidos na fonte em 29 set 2026 e mudam: releia antes de fechar contrato.

Quando o site sai do ar

Novo

Ordem de diagnóstico, do mais provável para o menos — e quase sempre para no terceiro item.

VerifiqueSintomaConserto
Domínio expirou"Servidor não encontrado" e o site da Vercel funcionaRenovar no registro.br
Certificado vencidoAviso de "não seguro"Reemitir no painel da hospedagem
Último deploy quebrouParou logo depois de uma mudança"Promote to Production" na versão anterior
DNS alteradoAlguém mexeu na zonaComparar com o que a hospedagem pede
Serviço de terceiro foraSó uma parte quebradaPágina de status do serviço
Hospedagem com incidenteNada funciona, nem o painelAvisar o cliente e esperar — e comunicar bem
Comunique antes de consertar. Uma mensagem de duas linhas — "vi que o site está fora, já estou olhando, te aviso em 30 minutos" — vale mais para a relação do que consertar em silêncio em dez minutos. O cliente não sabe se você está trabalhando; ele só sabe que o site dele está fora.

Encerrar bem

Novo

Todo projeto termina — por conclusão, por o cliente parar de investir, ou porque ele achou alguém mais barato. Como você sai define se ele volta e se ele te indica.

Entregue o pacote de encerramento: o código (ou a transferência do repositório), o inventário de acessos atualizado, as fontes e imagens originais, e um documento curto explicando como o site é publicado. Isso leva meia hora e é o que separa profissional de refém.

Peça o depoimento na hora certa — logo depois da entrega aprovada, quando a satisfação está no pico, não seis meses depois. E peça específico: "o que mudou no seu contato de cliente desde que o site entrou no ar?" gera um depoimento útil; "pode escrever algo sobre meu trabalho?" gera "excelente profissional, recomendo".

E deixe a porta aberta por escrito: "qualquer coisa que precisar no futuro, pode me chamar". Uma parte relevante do trabalho de quem faz site para negócio local vem de cliente antigo voltando — geralmente depois de tentar resolver sozinho ou com alguém mais barato.
PARTE 6

O comercial

Saber construir não é saber vender. Esta parte é sobre onde aparece cliente de serviço local, o que mostrar quando você ainda tem pouco trabalho, como conduzir a reunião, e como cobrar sem chutar.

Onde aparece cliente de serviço local

Novo
CanalComo funcionaEsforço × retorno
IndicaçãoCliente satisfeito indica. É a maior fatia do mercado.Alto retorno, exige entregar bem antes
Prospecção diretaVocê acha um negócio com site ruim ou sem site e aborda com algo prontoO mais previsível quando se está começando
ParceriaContador, gestor de tráfego, agência pequena sem quem faça siteExcelente — eles têm cliente e não têm sua mão
Instagram / portfólioMostrar processo e antes/depoisLento, mas compõe prova social
Google e anúncioSeu próprio site ranqueando para "criação de site em Campo Grande"Demorado; bom a médio prazo
Marketplace de freelaPlataformas de projetoPreço achatado, cliente difícil
Prospecção que funciona é específica. Não mande "faço sites, quer um orçamento?". Abra o site atual dele, rode o Lighthouse, tire o print do número no celular, e mande: "vi que sua página leva 9 segundos para abrir no celular — metade das pessoas desiste antes. Fiz um teste rápido do que dá para melhorar." Você entregou valor antes de pedir qualquer coisa.

Portfólio quando você tem pouco

Novo

O problema do começo é circular: ninguém contrata sem portfólio e não dá para ter portfólio sem contrato. Quatro saídas reais:

Refaça um site que existe. Escolha um negócio da sua cidade com site ruim, refaça a página inicial e apresente como estudo. Deixe claro que é um exercício não solicitado — e você tem, ao mesmo tempo, peça de portfólio e abordagem de prospecção.

Crie negócios fictícios plausíveis. Uma pizzaria, uma clínica, um estúdio de pilates. Sem nome de empresa real, sem depoimento inventado. Vale como demonstração de capacidade técnica e de repertório visual.

Faça um ou dois abaixo do preço, com contrapartida. Não de graça — de graça é desvalorizado e o cliente não se compromete. Preço reduzido em troca de depoimento, autorização de uso no portfólio e indicação.

Mostre o processo, não só o resultado. Três páginas parecidas convencem menos que uma com o raciocínio: qual era o problema, o que você decidiu e por quê, o que mudou. É justamente o que este site inteiro é.

Nunca apresente como cliente quem não é cliente. "Trabalhei com a clínica X" quando foi um exercício seu é mentira que uma pergunta desfaz — e o setor é pequeno demais para isso.

A reunião de briefing

Novo

Quem conduz a reunião controla o escopo. Se o cliente conduz, você sai com uma lista de funcionalidades; se você conduz, sai com um problema a resolver e um orçamento coerente.

roteiro
1. O que você vende, e para quem?
2. Como seu cliente te encontra hoje?
3. Quantos contatos você recebe por semana? De onde vêm?
4. O que faz alguém escolher você em vez do concorrente?
5. Qual a pergunta que todo cliente faz antes de fechar?
6. Qual o ticket médio? Qual serviço você QUER vender mais?
7. Tem fotos próprias? Logo em vetor?
8. Quem responde o WhatsApp, e em quanto tempo?
9. O que você acha que o site precisa ter? (deixe por último, de propósito)
10. Quando precisa estar no ar, e por quê?
A pergunta 5 é a mais valiosa e quase ninguém faz. A resposta — "todo mundo pergunta se eu atendo plano de saúde", "todo mundo quer saber se dá para parcelar" — é literalmente a seção que faltava na página. Objeção respondida antes de ser feita é conversão.

O detalhamento dessa conversa está na trilha Landing pages, na parte de descoberta. Aqui o ponto é comercial: essa reunião é parte do serviço, e é o que justifica seu preço estar acima do concorrente que só pergunta quantas páginas.

A proposta que fecha

Novo

Proposta não é lista de tarefas com um preço no fim. Ela precisa mostrar que você entendeu o problema antes de mostrar o que vai fazer.

estrutura
1. O que eu entendi          devolva o problema com as palavras DELE
2. O que proponho            a solução, em uma frase
3. O que está incluído       lista objetiva, incluindo o intangível
                             (briefing, copy, acessibilidade, SEO, LGPD)
4. O que não está incluído   a lista que evita mal-entendido
5. Prazo e etapas            com o que depende dele (fotos, textos, aprovação)
6. Investimento              valor, forma de pagamento, entrada
7. Garantias                 o que ele confere sozinho — prazo, nota, propriedade
8. Depois da entrega         rodadas de ajuste, manutenção opcional
9. Validade da proposta      15 dias
FaçaNão faça
Ofereça duas ou três opções (essencial / completo)Uma opção só — vira sim ou não
Dizer o que não está incluídoDeixar implícito e brigar depois
Prazo que depende de entrega delePrazo fixo ignorando que as fotos não existem
Entrada de 40 a 50%Tudo no fim
Chamar de investimento e mostrar o retornoSó o número, sem contexto
Duas ou três opções muda a pergunta de "faço ou não faço?" para "qual delas?". A do meio costuma ser a escolhida — então é ela que deve ser a que você quer vender.

Garantia que se mede

Novo

"Qualidade garantida" e "satisfação garantida" não garantem nada: ninguém consegue cobrar. Garantia que vende é a que o cliente consegue conferir sozinho, com data ou número, e que diz o que acontece se você não cumprir.

VagaQue se medeComo ele confere
"Entrega rápida"No ar em 14 dias corridos depois de receber textos, fotos e acessosa data da proposta e a data de publicação
"Site rápido"Nota de desempenho 90 ou mais no PageSpeed Insights, versão celular, na home publicadaele mesmo roda o teste, no dia da entrega
"O site é seu"Domínio, hospedagem e código no nome e no e-mail dele, entregues com o inventário de acessosele entra em cada conta com a senha dele
"Suporte depois"30 dias de correção de erro sem custo, a partir da publicaçãoa data de publicação

Como escrever sem virar armadilha

  • Prazo conta a partir do que depende dele. Sem essa linha, as fotos que chegam em três semanas viram atraso seu. Multa ou desconto por atraso só é justo se a cláusula for de mão dupla: atrasou o material, o prazo anda junto
  • Nota do Lighthouse varia a cada rodada e depende do que o cliente sobe depois. Prometa a nota no dia da entrega, com as imagens que você otimizou, e guarde o print com data — Lighthouse explica de onde a nota vem
  • "Erro" precisa de definição: algo que funcionava como combinado e parou, ou nunca funcionou. Mudança de texto, seção nova e "e se ficasse azul" são pedido novo — a linha entre os dois está em O que está e o que não está incluído
  • Nunca garanta o que depende de terceiros: posição no Google, número de clientes, aprovação de anúncio. Você controla o site, não o algoritmo nem o mercado
Garantia entra na proposta como um item próprio, entre o investimento e o "depois da entrega" da estrutura de proposta. E ela custa: cada uma é uma promessa que você vai cumprir em todo projeto. Comece por duas que você já cumpre hoje sem esforço — o domínio no nome dele e os 30 dias de correção — e só acrescente a nota mínima quando o seu processo a garantir sempre.

Preço: os três modelos

Novo
ModeloComoProblema
Por horaValor/hora × estimativaPune você por ficar mais rápido. E ninguém quer contratar hora, quer resultado.
Por projetoPreço fechado pelo escopoEscopo mal definido come sua margem — daí a importância do item 4 da proposta
Por valorPreço ligado ao que aquilo vale para o negócio deleExige entender o negócio. É onde estão as margens boas.

A conta que sustenta qualquer um dos três: descubra seu custo real por hora trabalhada — despesas mensais divididas pelas horas que você de fato consegue faturar (que nunca são 8 por dia; some briefing, proposta, cobrança, estudo). Esse número é seu piso absoluto. Preço abaixo dele é prejuízo com trabalho junto.

Sobre o valor: se uma landing page traz ao cliente dois contatos a mais por mês e o ticket dele é R$ 8 mil, o site se paga no primeiro mês. Essa conta, feita com os números que ele te deu no briefing, é o que sustenta um preço que não é o do concorrente de R$ 400. Faça a conta na frente dele.

Quando pedem desconto

Novo

Baixar o preço mantendo o escopo ensina ao cliente que seu preço era inflado e que sempre dá para pedir mais. A regra é uma só: desconto sempre vem com redução de escopo ou ganho de contrapartida.

Ele dizVocê responde
"Está acima do que eu esperava""Entendo. Dá para chegar em X tirando a seção Y e você mesmo escrevendo os textos. Prefere assim?"
"Fulano faz por R$ 500""Faz mesmo, e pode ser o suficiente. A diferença está em briefing, copy, acessibilidade e velocidade. Se o que você precisa é presença, o mais simples resolve."
"Dá um desconto que eu indico""Indicação eu agradeço muito. Desconto eu consigo com pagamento à vista — 5%."
"Depois a gente acerta""Trabalho com 50% de entrada. É o que me permite reservar a agenda."
"Faz por menos que eu te dou mais trabalho""Fechando os dois juntos agora, consigo um valor melhor no conjunto."
Reparou que nenhuma resposta é "não"? Todas são "sim, e aqui está o que muda". Você nunca recusa — você mostra o que o preço compra, e deixa a escolha com ele.

Preço riscado e urgência de verdade

NovoHTML

"De R$ 7.500 por R$ 2.550, só até dia 30" funciona — e é por isso que é tão abusado. A pergunta que separa a oferta da enganação é uma só: o preço de cima já foi cobrado de alguém, e o prazo acaba mesmo?

HonestoEnganoso
Preço de lançamento com data escrita, que termina e o preço sobe"Só até dia 30" que vira "só até dia 31" todo mês
O "de" é o preço que você cobrou antes, ou cobra depoisO "de" é um número que ninguém nunca pagou
"Pego dois projetos por mês" — e a agenda é essa"Últimas vagas!" em toda visita
Bônus real por fechar até uma data (a revisão de textos incluída)Contador regressivo que recomeça ao recarregar a página

O Código de Defesa do Consumidor proíbe a publicidade enganosa, e o artigo 37 inclui expressamente a que induz a erro sobre o preço. Fora a lei, tem o cliente: quem descobre que o "desconto de 66%" é permanente passa a desconfiar de todo o resto da página — inclusive das garantias. Isto é orientação prática, não parecer jurídico.

Quando a promoção é real, o HTML tem as tags certas: <del> para o preço que saiu e <ins> para o que entrou. Como leitores de tela nem sempre anunciam o risco, o "de" e o "por" vão escritos, escondidos só da tela:

preço de lançamento, com data que acaba
<p class="preco">
  <span class="so-leitor">De</span> <del>R$ 3.000</del>
  <span class="so-leitor">por</span> <ins>R$ 2.400</ins>
</p>
<p class="preco__condicao">
  Preço de lançamento até <time datetime="2026-10-31">31 de outubro</time>. Depois, R$ 3.000.
</p>
O mesmo vale para a página que você faz para o cliente: pedido de contador falso ou de "últimas vagas" permanente é a hora de explicar o risco, e o que funciona no lugar — uma data real, um bônus real, a agenda real. A regra de não inventar número é a mesma de Quantas seções, e o que corta: sem material de verdade, o bloco não entra.

Sinais de cliente que vai dar problema

Novo

Reconhecer cedo economiza meses. Nenhum destes é impeditivo sozinho — dois ou três juntos, pense bem.

SinalO que costuma virar
Pechincha antes de saber o escopoVai pechinchar em tudo, até no fim
Fala mal de todos os fornecedores anterioresVocê é o próximo da lista
Não consegue dizer o que o negócio faz de diferenteVai rejeitar toda copy sem saber explicar por quê
Quer começar sem contrato, "por confiança"Ausência de contrato só prejudica um dos dois lados
Prazo apertado sem motivo realUrgência artificial que vira cobrança
Cinco pessoas opinando, nenhuma decideRodadas infinitas de revisão
"É rapidinho, é só uma página"Desvalorização do trabalho desde antes de começar
Some por semanas e volta cobrando prazoAtraso dele vira culpa sua
Você pode recusar trabalho. Parece impossível no começo, mas um cliente ruim ocupa a agenda que caberia dois bons, desgasta e ainda costuma pagar pior. "Nesse momento minha agenda não comporta esse prazo" é uma recusa educada, verdadeira o bastante, e que não fecha portas.
PARTE 7

Laboratório visual

A Parte 2 explicou em texto por que uma página parece cara ou barata. Aqui está a mesma coisa acontecendo: o mesmo conteúdo, montado das duas formas, lado a lado. É o tipo de diferença que some quando se lê e fica óbvia quando se vê.

Hierarquia: para onde o olho vai primeiro

Novo

Mesmas palavras, mesmas cores, mesma largura. A única diferença é a variação de tamanho, peso e espaço.

Tudo com o mesmo peso

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Do projeto à entrega da obra, com acompanhamento semanal e prazo fechado em contrato.

A partir de 45 dias

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Nada sobressai — o olho começa em cima e desiste no meio

Com hierarquia

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Título 2× maior, apoio em cinza, ação em bloco sólido

Faça o teste do olho apertado: feche os olhos até quase fechar e olhe os dois lados. À esquerda resta uma mancha cinza uniforme; à direita restam o título e o botão — que é exatamente a rota que você quer que o visitante siga.

Espaço: escala contra achismo

NovoCSS

À esquerda, espaçamentos escolhidos no olho: 3px, 27px, 9px. À direita, um único valor de escala, que você controla no slider.

escala —

Valores avulsos

margin: 3px / 27px / 9px — não há relação entre eles

Escala única

gap: var(--e) — um valor só, aplicado de forma consistente

Repare que o lado direito parece “certo” em qualquer posição do slider, e o esquerdo parece errado sempre. Não é o valor que importa — é a consistência. Essa é a razão de a escala existir.

Medida de linha: onde a leitura quebra

NovoCSS

Arraste e tente ler. A faixa confortável fica entre 55 e 78 caracteres por linha — abaixo, o olho pula demais; acima, ele se perde ao voltar para a linha seguinte.

largura — —

Landing page não conserta oferta ruim. Se o preço está fora do mercado, se o prazo não fecha, se o serviço não resolve o problema que o cliente tem — a página bem feita apenas faz mais gente descobrir isso mais rápido. A primeira conversa com o cliente não é sobre design: é sobre o que ele vende e para quem.

Em ch, a conta é feita pela largura do caractere zero da própria fonte, então a regra sobrevive a troca de tipografia. Um max-width: 68ch no parágrafo resolve isso para o site inteiro — é literalmente uma linha de CSS.

Cor na proporção certa

NovoCSS

À esquerda, cada elemento com a própria cor de destaque. À direita, a regra 60-30-10: neutro domina, e a cor da marca aparece só onde há ação.

Cor em tudo

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Quatro destaques = nenhum destaque

Uma cor, com avareza

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O único bloco sólido é o que você quer que seja clicado

É o mesmo princípio do pulso no CTA, lá na trilha Movimento: destaque é um recurso escasso. Distribuído igualmente, ele deixa de existir — e a página perde o único elemento que precisava ser encontrado em meio segundo.

O mesmo card, caro e barato

Novo

Mesmo conteúdo, mesma paleta. A diferença está toda na coluna da esquerda da tabela da Parte 2: espaço, alinhamento, consistência de canto e contenção de efeito.

Parece barato

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Tudo centralizado, sombra dura, três fontes, canto de outro raio, texto genérico

Parece caro

Serviço

Reforma completa

Do projeto à entrega, com prazo fechado em contrato. A partir de 45 dias.

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Alinhado à esquerda, um raio só, espaço generoso, texto específico

Nada do lado direito custa mais caro para produzir. Não tem foto melhor, não tem ilustração, não tem fonte paga. A diferença inteira é subtração e disciplina — e é por isso que "parecer caro" é uma habilidade que se aprende, não um orçamento que se gasta.

Quando centralizar atrapalha

NovoCSS

Título centralizado funciona. Parágrafo de várias linhas centralizado obriga o olho a procurar onde cada linha começa.

Parágrafo centralizado

Atendemos Campo Grande e região com projeto de interiores, reforma de apartamento e consultoria de ambiente. O acompanhamento é semanal e o prazo fica fechado em contrato.

Cada linha começa num lugar diferente

Alinhado à esquerda

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Margem esquerda firme — o olho volta sempre para o mesmo ponto

A regra prática: centralize o que tem até duas linhas — título, chamada curta, legenda. Texto corrido vai alinhado à esquerda. E justificado, que ninguém pediu, não: no navegador ele abre buracos entre as palavras, porque não existe hifenização decente por padrão.